Sobre o Brasil 2030
Escrevemos este cenário porque a trajetória brasileira nos preocupa. A inteligência artificial já está mudando o trabalho, a segurança e as relações entre países, mas a discussão sobre o lugar do Brasil nesse futuro ainda recebe pouca atenção.
Queremos reunir brasileiros em torno dessa discussão, entender nossas possibilidades e fazer das escolhas sobre inteligência artificial uma prioridade nacional.
Por que contar uma história?
Uma discussão sobre computação, contratos e acordos internacionais pode parecer distante. Ela muda de figura quando uma clínica perde seus prontuários, uma recém-formada não encontra emprego ou um governo precisa aceitar condições estrangeiras para manter serviços funcionando.
Camila e Lourdes nos ajudam a acompanhar essas consequências. Uma trabalha no Congresso; a outra vive os efeitos de decisões que nem sempre entende. A história liga o que acontece nos laboratórios e nas negociações internacionais ao cotidiano brasileiro.
Escolhemos acompanhar uma trajetória ruim para examinar como o país pode chegar a ela. Mesmo quando as grandes potências conseguem desacelerar o desenvolvimento de IA, o Brasil pode continuar vulnerável. Ter energia e hospedar data centers não basta se o país não consegue contratar a computação de que precisa, proteger seus serviços e participar das decisões.
Quem escreve
Luiz Piccini
É Head of Product no Tela, onde desenvolve produtos para ajudar grandes empresas a aproveitar melhor a inteligência artificial. Antes, trabalhou na Bain & Company e na Wildlife Studios, participou da criação de Tennis Clash, criou e dirigiu Sky Warriors e fundou a publicadora de jogos Falco. É formado em Engenharia de Produção pela Poli-USP com Master of Science em Engenharia e Gestão pelo Politecnico di Torino, e escreve sobre tecnologia em Calibrating Posteriors.
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Danilo Naiff
É formado em Engenharia de Materiais e Matemática pela UFRJ, onde também concluiu o mestrado em Matemática e o doutorado em Engenharia Mecânica. Sua pesquisa se concentra em aprendizado de máquina para aplicações em escoamento de fluidos, mas também trabalhou em áreas como finanças e transportes. Participou de projetos e programas de pesquisa e formação em segurança de IA, incluindo o SERI MATS e o ML4G.
Pedro Castilho
É CTO da Cumbuca, fintech dedicada a Open Finance e integrações financeiras customizadas. Empreende desde 2019 e trabalhou como engenheiro de software em startups no Brasil e no Vale do Silício, após uma passagem pela pesquisa em visão computacional. Sua experiência inclui o uso intensivo de IA em uma equipe pequena que opera no setor financeiro.
Ivan M. Franco
É organizador nacional do Altruísmo Eficaz Brasil, CVO e sócio da Little Brown Mouse Audiovisual, onde lidera iniciativas de inovação e posicionamento em inteligência artificial. Tem mais de 20 anos de experiência em produção audiovisual, comunicação e educação. Nos últimos anos passou a se dedicar também à construção de comunidades, organização de eventos, e à comunicação sobre segurança de IA. Formado em Cinema pela UFSCar, com MBA em Data Science e Inteligência Artificial pela PUCRS.
Como construímos o cenário
O texto foi desenvolvido a partir de propostas dos autores, pesquisa de fontes e revisões coletivas. As contribuições foram reunidas em uma cronologia comum e trabalhadas em sucessivas versões da narrativa. As notas permitem consultar as fontes que sustentam os fatos e as hipóteses discutidos no texto; a página de evidências reúne material de apoio.
O formato se inspira em AI 2027, AI 2040 e Europe 2031. Não temos afiliação com esses projetos, e a referência não implica que seus autores endossem nossas conclusões.
Usamos ferramentas de IA como apoio à pesquisa, à redação, à edição e à construção do site. A responsabilidade pelo texto, pela verificação das fontes e pelas posições defendidas é dos autores.
O que este cenário afirma e o que não afirma
Brasil 2030 é um cenário, não uma previsão com probabilidades calculadas. Camila e Lourdes são fictícias. Os episódios futuros, os acordos e suas consequências foram construídos para explorar uma trajetória possível; as datas não devem ser lidas como prazos que sabemos que serão cumpridos.
Uma fonte sobre uma vulnerabilidade atual não demonstra que o ataque narrado acontecerá. Da mesma forma, a possibilidade de um acordo internacional não estabelece que ele terá os termos descritos aqui. A sequência, a velocidade das mudanças e a capacidade de reação dos países são partes importantes da incerteza.
O cenário também não esgota os riscos da IA. Uma desaceleração pode falhar, e os danos podem ser muito maiores do que os narrados. Nosso foco é o que acontece ao Brasil quando algumas ameaças globais são contidas, mas o país chega às negociações sem capacidade suficiente para defender seus interesses.
Independência
Este é um projeto de pesquisa independente, sem financiamento. As posições expressas são dos autores e não representam seus empregadores ou outras instituições. As afiliações nas apresentações acima servem apenas para contextualizar suas experiências.
A carta e os compromissos apresentam propostas para evitar essa trajetória. Apoiar a carta não exige concordar com cada episódio da narrativa. Da mesma forma, revisar o texto não significa ser coautor nem endossar suas conclusões.
Ajude a melhorar
Queremos saber onde o argumento falha, onde a história parece exagerada e onde a leitura deixa de fazer sentido. Ao enviar uma crítica, indique o trecho e explique o problema. Uma fonte, um contraexemplo ou uma redação alternativa ajudam mais do que uma avaliação geral.
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O português é a edição de referência. As edições em inglês e espanhol traduzem o mesmo texto.